Venus e Serena: Do gueto aos courts, o duelo entre as irmãs Williams é também uma luta pela igualdade – SAPO Desporto

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Venus e Serena: Do gueto aos courts, o duelo entre as irmãs Williams é também uma luta pela igualdade – SAPO Desporto

Onde há competição, há rivalidade. No desporto, seja entre clubes ou atletas, a história está repleta de duelos mediáticos, mas nenhum com os contorno

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Onde há competição, há rivalidade. No desporto, seja entre clubes ou atletas, a história está repleta de duelos mediáticos, mas nenhum com os contornos de Venus Williams vs Serena Williams: duas irmãs que se descrevem como melhores amigas e fãs uma da outra.
Com apenas 15 meses de diferença (Venus nasceu em 1980, Serena em 1981), as norte-americanas começaram desde muito cedo a jogar ténis, impulsionadas pelo pai Richard Williams, que havia planeado a carreira meteórica das filhas antes mesmo do seu nascimento. Seguiu-se uma rivalidade com mais de 20 anos – mas apenas dentro dos courts –, iniciada em 2001 e que teve o seu auge nessa mesma década.
Contas feitas, as duas irmãs já se defrontaram no circuito profissional em 31 ocasiões, nomeadamente nas finais dos quatro torneios ‘major’, com 19 triunfos para Serena e 12 para Venus.
A nível individual, Venus tornou-se em 2000 a primeira tenista negra a vencer em Wimbledon na era moderna, dois anos antes de chegar à liderança do ranking da WTA, além de ter sete títulos do Grand Slam. Serena, por sua vez, soma 23 títulos e é considerada por muitos a melhor de todos os tempos no ténis feminino. Em pares, as irmãs Williams conquistaram 14 títulos do Grand Slam e três medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos.
Serena, atual número 246, resumiu a rivalidade com Venus (491.ª) da seguinte forma: “É duro teres de puxar de toda a tua garra para derrotares alguém a quem desejas o melhor. Ambas queremos sempre que ganhe a outra, exceto quando nos defrontamos.”
É impossível falar das irmãs Williams sem referir a força motriz por trás do seu sucesso. Inspirado pela vitória da romena Virginia Ruzici em Roland Garros, em 1978, nomeadamente pelo ‘prize money’, Richard Williams decidiu aprender tudo sobre ténis junto de um antigo jogador, a quem pagava em garrafas de álcool.
Foi já depois de se casar pela segunda vez e de acolher as três filhas do primeiro casamento de Oracene Price – Yetunde, Lyndrea e Isha – que Richard decidiu fazer um plano de 78 páginas com o objetivo de levar as filhas (que ainda não tinham nascido) ao estrelato.
Venus começou a praticar ténis com apenas quatro anos, nos courts públicos de Compton, Los Angeles, bairro sobejamente conhecido pela pobreza e criminalidade. Serena, um ano mais nova, seguiu-lhe as pisadas. O pai começou a treiná-las obsessivamente, ao mesmo tempo que as procurava afastar da vida das ruas de Compton. A irmã Yetunde, por exemplo, seria assassinada em 2003 por um membro de um gangue quando seguia no carro com o namorado.
A extrema exigência para com as filhas e os métodos de treino ‘sui generis’ fizeram de Richard Williams uma figura bastante controversa no bairro e, mais tarde, no meio do ténis. No seu livro de memórias, intitulado “Um Mundo a Preto e Branco”, o pai das atletas revelou que a polícia chegou a aparecer em sua casa na sequência de uma denúncia por abuso, uma vez que obrigava Serena e Venus a treinarem e a estudarem horas a fio.
Noutro episódio, as duas irmãs competiam no court local quando dezenas de miúdos invadiram o espaço e começaram a insultá-las. Souberam depois que tinha sido o próprio pai a levar os miúdos para o court, com o objetivo de testar a força mental das filhas.
“Para seres bem-sucedido tens que te preparar para o inesperado — e eu queria prepará-las para isso. As críticas podem ajudar a retirar o que há de melhor em ti”, explicou à CNN.
Rick Macci, um dos treinadores das irmãs Williams, revelou ao site ‘Biography’ que Richard costumava atirar garrafas de vidro em direção ao fundo do ‘court’ para que as jovens não recuassem em demasia e usava bolas velhas para as forçar a correr mais.
Quando Venus completou sete anos – e Serena seis – Richard arregaçou as mangas e foi à procura de um treinador profissional. Após muitas rejeições, conseguiu levar as filhas até Paul Cohen, responsável pelo aparecimento de nomes como John McEnroe e Pete Sampras.
“Nunca tinha visto uma miúda de seis anos tão forte como a Serena e uma potencial campeã tão atlética e graciosa como a Venus”, contou o técnico, citado pelo ‘Bleacher Report’.
Ainda assim, Paul só aceitou treinar uma das irmãs – Venus, neste caso – sem qualquer custo, deixando Serena à parte. “Foi uma fase complicada, mas olhando para as gravações que o meu pai me mostrava dos treinos da Venus, sabia que ainda não estava naquele nível”, admitiu Serena numa entrevista ao jornal ‘USA Today’.
A mais nova do clã Williams começou, assim, a treinar com a mãe em Compton e a melhorar o seu jogo, até que Richard decidiu mudar-se para a Florida para que as filhas pudessem treinar na academia de Rick Macci. Por esta altura, Venus já exibia um registo impressionante nas provas de juniores, com 63 vitórias e zero derrotas.
Contrariando os receios do pai, Venus estreou-se no circuito profissional aos 14 anos, em Oakland, tendo ficado muito perto de derrotar a então número 2 Arantxa Sánchez Vicario. A espanhola conseguiu dar a volta e vencer o jogo, mas o ténis nunca mais esqueceu a jovem promessa de Compton. Estávamos em 1994.
Serena, que se estreou um ano mais tarde, reconhece o impacto causado pela irmã mais velha na modalidade. “Ela abriu-me todas as portas. Tudo o que tive de fazer foi entrar. Sem a Venus, nunca haveria uma Serena”, confidenciou.
A forma como Richard Williams planeou e orientou as filhas para o sucesso no ténis está, de resto, retratada no filme ‘King Richard: Para Além do Jogo’, que valeu o Óscar de Melhor Ator a Will Smith.
Miguel Seabra, jornalista de ténis desde 1990 e comentador da Eurosport desde 2003, considera que Richard Williams “foi suficientemente inteligente para preparar as suas filhas para as lançar na alta roda do ténis mundial”.
“Ele criou uma espécie de ‘hype’ para que começassem a surgir notícias aqui e ali, quando elas nem sequer competiam em torneios juvenis. Desde muito cedo se começou a falar delas”, observa Miguel Seabra, em conversa com o SAPO Desporto.
Na opinião do jornalista, o impacto das Williams na modalidade foi “brutal”. “No ténis masculino – e mesmo no feminino – já havia alguns jogadores afro-americanos de destaque, com a Althea Gibson e o Arthur Ashe, mas com as irmãs Williams e também com o lançamento da internet criou-se uma grande aura à volta delas e um grande interesse mediático. Até por causa do discurso do pai, que costumava dizer que elas não iam jogar muito mais tempo ou que tinham outros interesses para além do ténis”, explica.
O primeiro confronto entre as irmãs Williams teve lugar na segunda ronda do Open da Austrália, em 1998, e terminou com a vitória de Venus. Na altura, com apenas 17 anos, bateu Serena pelos parciais de 7-6 (4) e 6-1.
“O dia de hoje teria sido divertido se fosse uma final, mas não foi assim tão divertido eliminar a minha irmã na segunda ronda”, recordou Venus, citada pelo ‘New York Times’. “Se tiver de ser afastada na segunda ronda, não há ninguém melhor para o fazer do que a Venus. Tentei pensar nela como se fosse outra pessoa, mas a verdade é que ela é mais experiente do que eu”, disse, por sua vez, Serena.
A primeira grande final aconteceu três anos depois, no Open dos Estados Unidos. Venus também levou a melhor. “Serena, lamento ter de te fazer isto”, afirmou logo após o final da partida, acrescentando depois que a irmã mais nova “odeia perder”.
Defrontarem-se no court sempre foi uma situação dolorosa para ambas, e durante muito tempo tinham uma programação diferente para evitarem encontrar-se nos torneios, com exceção dos Grand Slams.
O facto de serem duas irmãs frente a frente suscitava sempre grande curiosidade, mas a verdade é que essa ligação também podia prejudicar o próprio jogo. “Havia sempre algum constrangimento, sobretudo numa fase mais inicial. Como não se soltavam, acabavam por não proporcionar grandes encontros”, nota Miguel Seabra.
“Recordo-me de ter entrevistado irmãos, para um artigo no Jornal do Ténis, que me disseram que sempre tiveram alguns problemas em jogar entre si. Havia ali algum problema emocional quando se defrontavam. Mas isso foi mais uma fase de principiante”, sublinha.
Curiosamente, a primeira Williams a vencer um torneio do Grand Slam foi a mais nova. Em 1999, Serena conquistou o Open dos Estados Unidos com apenas 17 anos, após bater Martina Hingis na final, enquanto Venus teve de esperar mais um ano para cumprir o sonho de vencer Wimbledon (nesse mesmo ano também triunfaria nos EUA). Em fevereiro de 2002, Venus tornou-se a primeira mulher negra a liderar o ranking da WTA na Era Open (quando o campeonato foi aberto a profissionais, a partir de 1968).
Anos antes, o pai tinha previsto que Venus alcançaria primeiro a liderança do ranking e que Serena tornar-se-ia a melhor de todos os tempos. Certo é que Venus chegou a número 1 em fevereiro de 2002, mas quatro meses depois foi destronada por Serena, que faria um ano sensacional com a conquista de Roland Garros, Wimbledon e Open dos Estados Unidos, vencendo a irmã mais velha nas três finais.
No arranque de 2003, Serena voltou a bater a irmã e conquistou o Open da Austrália, tornando-se a quinta mulher a deter, simultaneamente, os quatro títulos do Grand Slam, num período que ficou conhecido como ‘Serena Slam’.
Foi também numa final diante de Venus que Serena se tornou recordista de triunfos em ‘majors’ na Era Open, aos 35 anos. Com a vitória no Open da Austrália, em 2017, Serena conquistava o seu 23.º título do Grand Slam, ultrapassando Steffi Graf e ficando apenas a um título de igualar o recorde de Margaret Court.
No total, foram travados 31 duelos entre as irmãs Williams, com destaque para os anos 2008 e 2009, onde se defrontaram nove vezes, incluindo duas finais de Wimbledon – Venus venceu a primeira, Serena a segunda.
“Para Richard Williams, era Venus e Serena contra o mundo. Mas por muito entusiasmante que essa ideia possa ser, elas não podiam dominar o ténis juntas. Em todos os jogos há um vencedor e um derrotado”, escreveu o jornalista Peter Bodo, da ESPN. Quando questionado pelos jornalistas sobre os duelos das irmãs, o progenitor dizia que “se apostasse, colocaria 50 dólares em cada uma”.
“Bem-vindos ao show dos Williams”, podia ler-se numa das mensagens que Richard exibia nas bancadas, enquanto apoiava as filhas.
“Tendo sido ensinadas pela mesma pessoa, a verdade é que as irmãs Williams têm um jogo muito distinto”, começa por analisar Miguel Seabra. Venus é mais alta, mais atlética e isso transparece no seu jogo, mais na procura de conquistar os pontos na rede. Mas é também mais calma e fria do que Serena.
“Tinha um serviço que chegou a ser o mais rápido do circuito, lançava a bola muito alto e metia com grande velocidade, até porque era mais alta, mas depois esse serviço tornou-se ao longo dos anos algo previsível. Subia mais frequentemente até à rede, enquanto a Serena jogava mais no fundo do court”, diz o jornalista.
Já Serena é mais emocional e aguerrida. “Tinha uma grande direita, uma grande esquerda e sobretudo um grande serviço, que variava muito, e que foi até considerado o melhor serviço de todos os tempos da história da modalidade”, nota Miguel Seabra, que sentiu grandes melhorias na irmã mais nova quando começou a ser treinada por Patrick Mouratoglou, em 2012.
“Eu comentava encontros delas e eram notórias lacunas em diversos capítulos. Se ela tivesse melhorado esses aspetos muito antes, isso teria feito dela uma campeã ainda melhor”, considera.
Apesar das diferenças dentro e fora do court, tanto Venus como Serena eram “rápidas, explosivas e viciadas em triunfos”: “Por vezes entravam num transe competitivo que as tornava muito difíceis de bater. Tinham uma garra tremenda que contribuiu, sobretudo, para o currículo da Serena, nomeadamente para os episódios lamentáveis que se conhecem.”
Um desses episódios polémicos envolveu o árbitro português Carlos Ramos, na final do Open dos Estados Unidos de 2018 – pode consultar a reportagem do SAPO Desporto aqui.
Um dos episódios mais polémicos a envolver a família Williams ocorreu em 2001, aquando da participação no torneio de Indian Wells, no deserto da Califórnia. As irmãs iam defrontar-se na meia-final quando Venus, à última hora, anunciou que não jogaria devido a lesão (uma tendinite). Serena, então com 19 anos, passava automaticamente à final.
No entanto, o público californiano não perdoou aquilo que julgou ser um estratagema de Richard Williams para poupar a filha mais nova, que estaria mais bem preparada, antes do jogo decisivo.
Serena acabaria por bater Kim Clijsters na final, mas o jogo ficou marcado pelos apupos e insultos racistas proferidos nas bancadas.
“Tudo o que via era um mar de pessoas ricas, mais velhas na maioria, sobretudo brancas, todas de pé a vaiarem-nos, como uma espécie de multidão de linchadores aristocratas”, recordou Serena, numa entrevista à CNN.
Perante estes acontecimentos, as irmãs Williams decidiram não voltar ao Masters de Indian Wells. “Foi muito difícil para mim esquecer as horas que passei a chorar no balneário depois de ganhar em 2001. No regresso a Los Angeles, senti que tinha perdido o maior jogo de sempre, não um simples jogo de ténis, mas uma luta pela igualdade”, acrescentou.
O boicote a Indian Wells durou 14 anos. Em 2015, Serena anunciou a intenção de voltar a participar no torneio.
“Disse muitas vezes que não voltaria a jogar aí. E acreditem, estava a falar a sério. Admito que me assustava. E se eu entrasse no ‘court’ e toda a assistência me assobiasse? O pesadelo recomeçaria. Estou apenas a seguir o meu coração neste caso. Indian Wells foi um momento determinante na minha carreira. Juntos temos a oportunidade de escrever um final diferente”, explicou a então número 1, num artigo de opinião publicado na revista ‘Time’.
No ano seguinte, foi a vez de Venus fazer as pazes com Indian Wells. O tão esperado confronto entre ambas só aconteceria em 2018, na terceira ronda, com Venus a derrotar Serena, que não jogava há 14 meses por ter sido mãe.
Ao longo dos anos, as irmãs Williams (sobretudo Serena) foram alvo de críticas pela forma como se apresentavam nos jogos, desde as roupas e penteados escolhidos a uma suposta “masculinidade” que lhes era atribuída, até pelo seu estilo de jogo.
Sobre um duelo entre Sharapova e Serena, em 2004, um título da agência Reuters apontava o seguinte: “Bela Sharapova surpreende, vence a fera Williams e sagra-se campeã”. Quando Serena apareceu em Roland Garros com um ‘catsuit’ desenhado pela Nike – para melhorar a circulação sanguínea da atleta durante a recuperação pós-parto -, as críticas não se fizeram esperar, levando a organização a proibir que o fato fosse novamente utilizado.
“A sexualidade de uma mulher branca é atrevida, divertida e de bom gosto; uma mulher negra é ofensiva, desagradável e indecente”, lamentou Afua Hirsch, antiga jornalista do ‘The Guardian’, no seu livro “Brit(ish)”.
Habituada a colecionar polémicas, Serena prefere não dar importância às críticas. “Fazem parte do meu trabalho. A preparação do meu também foi feita com esse objetivo”, notou, numa entrevista à BBC.
Já Venus considera que é necessário “continuar a quebrar barreiras”. “Se fores bom o suficiente, esses pequenos detalhas acabarão por desaparecer. Acredito que as próximas gerações vão poder desfrutar do ténis sem que haja alguém focado na cor da sua pele”, defendeu.
A luta contra o racismo, mas também pela igualdade de género foram sempre acompanhando o trajeto das manas Williams. Em 2005, Venus chegou a reunir-se com os responsáveis de Roland Garros e Wimbledon para pedir prémios iguais para homens e mulheres. A proposta foi inicialmente rejeitada, mas a pressão da tenista acabou por resultar e em 2007 os torneios inglês e francês atribuíram, pela primeira vez, o mesmo prémio a ambos os sexos.
Foi já em 2020 que as Williams se defrontaram pela última vez. Serena precisou de duas horas e 20 minutos para vencer Venus nos oitavos de final do torneio de Lexington, naquele que foi o 31.º encontro entre as duas.
Serena reconhece que a rivalidade entre as duas irmãs fez com que evoluíssem enquanto profissionais. “Proporcionou uma elevação do nível por parte de ambas. Quando conheces tão bem o teu adversário, tens de te tornar numa jogadora diferente para tentares despistá-lo. Nunca nos fartamos de jogar uma contra a outra”, explica.
Venus tem a mesma opinião. “[Serena] Já me ganhou tantas vezes, tenho mais derrotas com ela do que qualquer outra. É uma jogadora que sabe como derrotar-me e que conhece as minhas fraquezas melhor do que ninguém”, salienta.
Ultimamente, as duas irmãs têm andado mais longe do circuito, tendo-se desdobrado noutras atividades. Venus, que sofre do síndroma de Sjögren – uma doença autoimune caracterizada por uma secura excessiva dos olhos, da boca e de outras membranas mucosas – ,criou uma empresa de design de interiores e uma marca de roupa.
Quanto a Serena, o seu treinador Patrick Mouratoglou anunciou esta quinta-feira que irá dedicar-se integralmente à tenista romena Simona Halep. “Tive uma conversa com a Serena e a porta abriu-se, pelo menos no curto prazo, para trabalhar com outra pessoa”, anunciou o técnico, em comunicado.
Não é ainda claro se a ex-número 1, que tem estado lesionada desde a sua participação em Wimbledon no ano passado, irá voltar ao circuito mundial de ténis.
“Elas bateram recordes de longevidade, contrariando o que o pai costumava dizer. Gostava de continuar a vê-las no circuito, mesmo estando longe do seu melhor. Se querem continuar a competir, devem fazê-lo”, defende Miguel Seabra.
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